segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Executora Vermelha e o Cérebro Cinzento

Há um ano atrás fui abduzido. Meu cérebro, roubado.

Ele repousava em um recipiente cheio de ácido sulfúrico, num local colorido: vermelho, rosa, verde e roxo. O anestésico era tão forte que eu não eu me defendi, não lutei e não questionei.

Cada sessão de dor era seguida por uma sessão de prazer. Chibatadas espinhentas faziam a felicidade da Executora Vermelha. Negra era a sua aura.

"Crueldade". Acho que era essa a palavra que ecoava por lá, não me lembro...

O ácido entrava cada vem mais nas terminações nervosas. Porém, a carne é forte e amenizava a corrosão. Depois de meses, as feridas cerebrais foram se fechando, e por cima delas, calos cinzentos se formaram, onde os neurônios expelidos pelo sofrimento condensaram-se e então a chuva de razão banhou minha massa cinzenta novamente.

No entanto, a data fora marcada a ferro e fogo. Ferro como felicidade e fogo como boas lembranças, mas com intenção de se causar dor.

Um comentário:

Amanda disse...

Incrível, Bruno. Você e suas sempre ótimas metáforas, não estou enganada.
Depois fala de mim, gosto do que escreves, tem qualidade.

E por que é que eu às vezes também me sinto totalmente anestesiada, roubada e até sem massa encefálica?
Impressões e pretensões minhas...
Beijo.